Até aquele momento, eu não sabia dizer qual era a sensação que o reencontro causava. Apenas sabia o que era saudade, desapego, tudo em composição de vontade em atirar erroneamente nos próprios sentidos. Na verdade, perde-los totalmente...
E naqueles olhos; aqueles que eu tive dúvida quando vi pela primeira vez, e desejei profundamente durante todas as outras, emanava um brilho que me prendeu por várias e várias vezes – e que por fim – me fez apaixonar, e deleitar-se em sua capacidade de prisão, completamente extasiada pelo momento. Como dona, imponente e segura, tomada de toda soberania que sequer sabe que tem. Ali, tudo em apenas um ato. E de repente, sem aviso prévio, tudo se desfez.
Por instantes, achei que aquela química – que outrora fora mais uniforme que qualquer coisa – havia sumido. Aquela que jamais iria se dissipar, por maior que fosse a dificuldade em ambos os sinais. Feito o acordo, tudo parecia anormal, disforme, fora de si. A conexão tinha se perdido no meio do nada, e tudo o que eu poderia fazer era me conformar. Me irritar, na verdade. Humana e imperfeita, jamais conseguiria ter uma noção mínima do que tudo aquilo era, pois todos os pensamentos eram tomados por raiva. E com ela vinha o sentimento de angustia, de perda. Totalmente contrária do que se pensava, a sensação era fugaz, e mais rápida do que a outra. Era um seguimento de raiva, angustia e dor. Querendo rasgar um pouco do peito, deixa-lo exposto. Ficando em seu último estágio, uma grande parcela de preocupação em conjunto.
Sem pedidos de desculpas, sem mais palavras. Os olhos falavam mais do que qualquer outra coisa. O suspiro fazia doer à cabeça e a alma. E o que mais eu poderia fazer, senão apenas perguntar: “O que foi?”. De fato, era inadequado, mas ainda me sentia presa naqueles olhos. E então, toda a raiva ia embora quando sua voz fugia-lhes os lábios. Era música aos meus ouvidos a cada palavra dita. O coração pulava dentro do peito de um jeito que parecia querer sair. Meu sorriso perdido, meio bobo, meio insano. E porque não uma pitada de cinismo para me ajudar naquele processo? Afinal, eu estava presa. Apenas poderia demonstrar que não estava tão afetada. Tudo aquilo estava a energizar meu coração, que não parava por um segundo sequer a cada encostar daquelas mãos nas minhas. Uma corrente elétrica transpassava por toda a extensão do corpo, em uma vontade de querer mais. E então, por alguns segundos, ela passava. Mas sempre retornando, com mais intensidade a cada novo toque. Ao fim de tudo, sou capaz de dizer que quase cheguei ao infarto. Não que eu queira muitas delongas, mas o dia fora mais empolgante do que eu imaginara, e até mesmo programara.
Em seu final, a lua era a única conseguia testemunha-lo, mesmo que de longe. As estrelas não cobriam o céu nessa noite. O cenário não era perfeito, mas isso não me impediu de pensar variadas vezes sobre aqueles lábios. Ah, aqueles lábios! Desejava toca-los desde o primeiro instante. Tanto quanto os olhos, eles tinham um enorme poder de aprisionar-me. Sua textura macia, e todo o gosto que viesse em comunhão com os mesmos. Deixei meus lábios se aproximarem, não foi um toque demorado, e nem havia toda a magia esperada. Eles não estavam macios, e nem úmidos como esperado, e o gosto não pode ser sentido do modo como seria previsto. Era incrível, mas aquela corrente elétrica ainda estava lá. E Suficientemente estranho, a sensação de perda não veio. Não se demorou a partir. Deixei meus olhos acompanhar esse movimento, e notei que sentia falta de algo. Algo bastante importante, pois não sentia mais o palpitar em meu peito. Um novo sorriso tomou conta de meus lábios. Eu podia senti-lo; Sabia que estava seguro, e continuava a acompanhar o movimento, enquanto meu coração ia partindo, até estar pronto para o próximo reencontro.


